Posted by Sam Shiraishi on Jan 7, 2009 in geek, twitter
Confesso que troquei boa parte das minhas conversas no Instant Messenger pelo Twitter, que eu carinhosamente chamo de MSN Coletivo. Tenho até me informado nele, aproveitado dicas, notícias e idéias que os seguidores e seguidos passam.
Sabem como funciona, né? Você tem um perfil, escreve pequenos textos com até 140 caracteres (com direito a links externos que ajudam muito na troca) e passa a ter pessoas que seguem (acompanham) o que tecla lá. A idéia original era contar “o que você está fazendo agora”, mas acabou tendo várias faces. Seguidores e seguidos fazem uma rede social e a troca é uma característica do brasileiro.
Acompanho também mães twitteiras e blogueiras norte-americanas e noto que elas realmente contam o que estão fazendo… se fazemos isso aqui vamos perdendo os seguidores. Aliás, já perdi vários porque acham que eu dou muitos “replies” (respostas), quer dizer, eu twitto muito.
Aqui entra o assunto do meu post. Tem várias ferramentas na web que ajudam o usuário de twitter. Com o qwitter é possível saber quem deixou de seguir seus passos e ser inclusive informado do último post que o seguidor leu. Teoricamente entenderíamos porque ele nos abandonou! Eu tenho uma facilidade para criar vínculos com as pessoas e por isso fico até triste quando deixam de me seguir… mas eu supero, bola prá frente!
Ontem um dos “seguidores que sigo”, @eduardocruz, me mandou uma direct message (uma mensagem via twitter mas que é particular) avisando de um post com resumo de um trabalho que fez no Twitter. Ele testou vários dos serviços para twitteiros e listou no post a utilidade deles citando ferramentas de análise e estatística de uso (como: TwitterCounter, TwitterGrader e ReTweetRank) e interfaces Twhirl, TweetDeck, Twitterfox, Twitbin. Mais interessante, porém, é o fato de Eduardo analisar esta rede social. Já ouvi vários comentários sobre Twitter, elocubrações do porquê da sua inserção tão boa no meio mais maduro (e do descaso com que o tratam os adolescentes). Gostei e ficarei atenta a novas reflexões.
Eu twitto usando o TweetDeck, que a @mariacarol instalou para mim e pelo qual me apaixonei. É prático, clean, não incomoda (como outros similares) e ainda me permite deixar na mesma janela abertas colunas para acompanhar todos que sigo, amigos favoritos, as replies, direct messages, tweetscoop (que me deixa saber quais os temas que estão bombando no twitter no dia, numa nuvem de tags) e fazer buscas por tema ou tag.
Por falar nelas, @jasper também indicou uma ferramenta legal: Retweetradar. Concordo com Juliano que “tudo que é ‘retuitado’ tem relevância especial. Se eu passo adiante é porque tem valor.” E este aplicativo rastreia o que se retwitta e publica uma nuvem dos termos (tags).
Tag é a etiqueta, uma palavra ou expressão que é usada para identificar determinado assunto. Usamos muito as tags para fazer a cobertura de eventos ou apenas para falar de temas do momento, como foi um show daquela semana. Duas tags são características do twitter brasileiro: #prontofalei, usada para desabafos, e #comofas, que deixa claro que esperamos ajuda para alguma coisa. Como disse o @carloshotta para mim outro dia, depois de #comofas ninguém mais lê manual de nada.
Ontem descobri, numa brincadeira com o @lucianozuba, o Twitterholic. Ele é o número 1 de Itu e eu descobri que sou a 33a de São Paulo. Como diria meu primo Vitor, #elite. Não falta mais nada… agora podemos medir, just in time, o quanto somos viciados no Twitter.
E você, é twitteiro? Avisa aí seu nickname lá para eu conferir se estou te seguindo!
Hoje devo divulgar, já com imenso atraso, os nomes dos ganhadores dos ingressos para o Campus Party Verde, prêmio que Maira Begali ofereceu aos participantes da Blogagem Coletiva do Consumo Consciente.
Meus agradecimentos a todos, mas em especial a alguns amigos virtuais que se empenharam especialmente na divulgação da blogagem: @meiroca, @samcyrus, @paulabio, @clauchow, @luzdeluma, @cybelemeyer. Mas quem se superou nos posts foi o Gabriel Meissner.
E por isso um dos convites será para o blog Entremundos. O outro eu sorteei (dentre os 48 participantes da blogagem listados no final do post) no site Random e o ganhador foi o número 12, do blog A Casa do Galo.
No entanto, quem saiu ganhando fui eu. Li muita coisa incrível, descobri enfoques novos sobre o tema que me interessa tanto e me sinto fortalecida porque encontrei várias pessoas com quem compartilho afinidades de valores. Exemplos? No blog Rapensando eu vi um link para o Estadão onde um infográfico mostrava ações diárias que salvam o planeta - Pequenas mudanças de hábito de consumo e coportamento no dia-a-dia de cada um diminuem impactos ao meio ambiente.
O consumismo infantil foi tema de alguns posts. E num post que não era da blogagem eu achei referência ao artigo de Pablo José Assolini publicado no livro Comunicação Mercadológica: uma visão multidisciplinar, organizado pelo prof. Dr. Daniel dos Santos Galindo. O texto faz uma abordagem sobre as mudanças que contribuíram para a configuração do comportamento da sociedade contemporânea, principalmente no que se refere à inserção da criança na cultura do consumo. Dica do Caixa Registradora.
Você iria a uma apresentação de trabalho sobre meio ambiente sem nada escrito, nem um ppt para apresentar? Um dos textos conta uma história corajosa assim e me impressionei com a mensagem transmitida. E para quem não vê a relação entre o consumo excessivo e a criminalidade, um post bombástico levanta a questão - e me lembrou o tema de O Abusado, livro de Caco Barcellos que me impressiona até hoje.
Não há como suprir as necessidades de todos no ritmo de consumo que mantemos hoje e por isso antes de comprar qualquer coisa devemos nos perguntar: realmente preciso disso? Um exemplo está nas embalagens de presentes, como citou o Decolando. Em casa também adotamos esta estratégia. No Natal meus filhos desenharam em papel kraft coisas especiais para as primas, com direito a dedicatória carinhosa e embrulhamos nestes papéis os presentes das meninas. Minha sogra, como boa avó coruja, guardou todos os desenhos e os meninos adoraram a brincadeira ecológica.
No Ecosofando li um texto que nos exorta ao exercício consciente da cidadania, falando no quanto nosso voto e nossas escolhas (grandes e pequenas) são uma forma de fazer o bem à humanidade. Faço questão de repetir um trecho:
“Quando consumimos um determinado bem (produto, serviço ou informação), estimulamos, em primeira instância, sua permanência no mercado. vida (produção, distribuição, consumo, descarte, entre outros) que, efetivamente, transformam a comunidade em que vivemos (localmente e/ou globalmente). Portanto, da mesma forma que o voto, nossas escolhas de consumo têm um poder transformador sobre a sociedade. Mas, diferentemente do voto, este poder pode ser exercido várias vezes ao dia. Se a instituição responsável pela produção do bem, não tem os valores e o comportamento que achamos corretos, podemos rejeitá-la na próxima ida ao mercado, mudando de canal ou estimulando outras pessoas a não consumi-la. (…)
Portanto, acredito que o ato de consumir é o verdadeiro poder transformador do cidadão e, como tal, deve ser exercido da forma mais racional e consciente possível.“
Em todos os blogs que visitei eu procurei escrever algo. Li com calma (por isso a demora), reflexionei e comentei. Quem me conhece sabe que eu gosto muito de trocar mensagens, tanto nos comentários de blog quanto no twitter, porque assim fiz excelentes amizades. Estamos aqui para trocar, compartilhar, não para nos ufanar com números e estatísticas de leitores. Fiquei muito feliz com a blogagem coletiva porque pude conhecer pontos de vista muito interessantes de pessoas de quem espero poder me aproximar neste novo ano porque encontrei valores em comum. Isso não tem preço, é inestimável.
Concluo com uma idéia, uma sementinha que gostaria de deixar em todos neste começo de ano: temos em mãos um poder imenso como consumidores, o poder de escolher o que é efetivamente bom para todos. Há quem diga que somos títeres do mercado publicitário, no entanto prefiro acreditar que somos os reais detentores do poder. Obrigado pela participação de todos, como autores e leitores dos textos que reflexionaram sobre o Consumo Consciente e espero que possamos trocar mais idéias sobre os temas que surgiram aqui e que me parecem ser afinidades que temos. Juntos podemos fazer diferença!
:D
P.S. E antes de comprar alguma coisa neste 2009, que tal se fazer as seis perguntas do consumo consciente sugeridas pelo @carloshotta? Eu preciso deste produto? Como este produto é feito? Eu preciso de tantos? Existem alternativas? Quanto vai durar este produto? Como este produto é eliminado? Há grandes chances de você reduzir o volume de coisas no armário e a conta do cartão de crédito.
[update]
(Se o seu post não estiver aqui, por favor, me avise. Usei Technorati, Google Blog Search e os pingbacks do blog para listar, mas sempre pode escapar algum!)
Relação dos posts que participaram da blogagem coletiva:
Mudar Sete Vidas (Seven Pounds, 2008). Este é o objetivo do personagem de um filme que reúne o ator Will Smith e o diretor Gabriele Muccino, com quem trabalhou em “À Procura da Felicidade“. Quando vi que ambos estavam à frente do filme nem pensei duas vezes e confesso que só me informei sobre a história na fila do cinema, Gui e eu já a postos escolhendo os horários para ver o filme no primeiro dia do ano.
Li numa suposta resenha que o filme é um “drama emocional sobre homem que decide ajudar sete pessoas estranhas a mudarem suas vidas”. É e não é. Drama, sem dúvida, senti falta da caixa de lenços de papel, pois sou uma chorona de primeira e herdei da minha avó Maria Augusta a habilidade de chorar com comercial de margarina, imaginem num filme que é feito para emocionar. Mas é também uma bela história de amor que, de certa forma, tem um final feliz. A trilha sonora também é boa e achei um post no qual é possível ouvir várias canções. A canção mais romântica e especial é For me formidable com Charles Aznavour. Não achei uma tradução da brincadeira que a canção faz misturando palavras da língua de Molière e de Shakespeare… mas merecia para todos pudessem compreender e se divertir com sua doçura como eu. Quem sabe outro dia me animo e faço uma péssima tradução?
Não vou contar mais, apenas dizer que recomendo.;)
E, vai parecer bobagem mas não é, fiquei orgulhosa de mim mesma por eu não atender ao celular enquanto dirijo. (Verdade, tenho toques personalizados para as ligações imperdíveis e quando necessário eu estaciono e telefono de volta)
P.S. Dos lançamentos, lembrei que Tiffay viu Marley & eu e adorou. E Aline, que tem seu lado adolescente (ela ainda admite ser fã de Dawson’s Creek), hoje contou sobre O Crepúsculo. Em comum os três filmes contam com a ginástica que nós três fizemos para ir ao cinema sem as crianças. E por falar neles, hoje no Mãe com Filhos eu escrevi dicas sobre busca de cinemas próximos da sua casa digitando seu CEP na busca do Google Cinema.
Posted by Sam Shiraishi on Jan 4, 2009 in japão, pintura
O mar de Satta por Suruga, da série Fuji Sanjuu-Rokke
No post anterior falei da exposição Japão Mundos Flutuantes e me referi en passent ao Ukiyo-e. A técnica, que literalmente pode ser traduzida por “retratos do mundo flutuante” é uma estampa japonesa desenvolvida no Japão. Sempre me lembrou vagamente a xilogravura, porque a técnica foi difundida através de pinturas executadas com o auxílio de blocos de madeira usados para impressão entre os séculos XVIII e XIX (final do período Edo, a fase “medieval” japonesa, que durou de 1603-1867).
Os temas teatrais eram os mais frequentes do ukiyo-e, o que marcou a alteração de seu nome original (retratos do mundo triste) para retratos do mundo flutuante, como de fato é o universo do entretenimento. Edo era o nome antigo de Tóquio e a forma de arte cresceu em popularidade na nova capital. Ao contrário da arte aristrocrática e luxuosa de Nara e Kyoto, a nova capital tinha uma efervescente cultura metropolitana, mais popular e por isso flutuante. Nascida na transição entre a sociedade estática e fechada (o Japão ficou mais de 300 anos praticamente fechado para o Ocidente na era Edo), o ukiyo-e me parece a representação das mudanças sociais mais importantes que levaram ao novo Japão que teria glória, declínio e um crescimento incrível no século XX.
Acredita-se que a técnica tenha se originado das obras monocromáticas de Hishikawa Moronobu na década de 1670, aprimorada em meados do século XVIII e adotada por Hozumi Harunobu que desenvolveu a técnica de impressão policrômica (Nishiki-ê). Numa cultura na qual as vestimentas eram obras de arte únicas, o ukiyo-e se difundiu rapidamente graças à facilidade da reprodução em massa. Nisso lembra o movimento de ascenção da burguesia que aconteceu também no Ocidente: suas obras eram adquiridas pelos comerciantes burgueses que geralmente não eram ricos o bastante para encomendar uma pintura original, as desejavam repetir o estilo de vida aristocrático.
O tema original do Ukiyo-e era a vida urbana, especificamente atividades e cenas da área do entretenimento: belas cortesãs, lutadores de sumô e atores populares retratados quando ocupados em atividades interessantes. Mais tarde as paisagens, como a retratada acima da série Fuji Sanjuu-Rokke, também se tornaram populares. Assuntos políticos e os indivíduos da alta sociedade só apareciam raramente. O sexo não era um assunto evitado, ao contrário figurava constantemente nas pinturas do estilo, mas os retatos particularmente esplícitos (às vezes punidos por seus exageros) eram chamados de shunga.
Ao findar o período Edo, navios mercantes estrangeiros voltaram a aportar no Japão e o ukiyo-e desse tempo reflete as mudanças culturais da restauração Meiji (em 1868), que levou ao arquipélago a fotografia e as técnicas de impressão do ocidente. Ao mesmo tempo em que o ukiyo-e saía de moda no Japão (no bunmei-kaika, o movimento de ocidentalização do Japão) ele se tornou fonte da inspiração na Europa tanto para o cubismo quanto para muitos pintores impressionistas, dando início ao Japonismo. Até hoje a técnica ainda serve de inspiração, inclusive em alguns mangás, como Lobo Solitário e Filhote.
Nuvem da Manhã, 1952. Foto de Haruo Ohara, Coleção Pirelli - MASP de Fotografia
Domingo em Sampa… que saudade. Posso ser paranaense, ter passado a maior parte da minha vida em Curitiba, mas me sinto em casa mesmo nesta Paulicéia. Chegamos em casa na sexta-feira à noite e, depois de um sábado curtindo a casa, estamos planejando algum passeio cultural neste domingo nublado.
Lembrei que uma última exposição em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil ainda está em cartaz. Japão: mundos flutuantes está na Galeria de Arte do Sesi e reúne diferentes expressões da cultura e da arte japonesas e suas influências em terras brasileiras. Achei interessante a organização em módulos expositivos.
Um deles traz 155 gravuras ukiyo-e, uma das formas de arte japonesa que aprecio e que mostra situações populares e que nos mostra um Japão que começava a sair da era medieval. Ukiyo-e pode ser traduzido para o português como “pintura do mundo flutuante”.
Os outros dois módulos são nipo-brasileiros, com gravuras da artista paulista descendente de japoneses Madalena Hashimoto. A artista também contribui na curadoria das estampas ukiyo-e e é especializada no florescer da arte-erótica japonesa (há pouco ministrou um curso interessante sobre Shunga), que é também um dos temas frequentes do ukiyo-e.
E o terceiro módulo contempla a fotografia e a história singular do imigrante japonês Haruo Ohara. O imigrante chegou a Londrina, no norte do Paraná, em 1933 e começou a fotografar em 1938, quando adquiriu uma câmera de um amigo. Com ela, registrou cenas familiares e do cotidiano dos imigrantes, inicialmente em preto e branco, passando ao colorido em 35 milímetros a partir da década de 1970. O diferencial de seu trabalho era o planejamento detalhado de cada elemento da foto, cuidando da posição, enquadramento e luminosidade até conseguir o resultado desejado. Ohara faleceu em 1999, mas já havia parado de fotografar desde 1994.
Como aconteceu com muitos artistas, sua obra se tornou conhecida do grande público só no final de sua vida. Sua primeira exposição individual foi em 1998, durante o Festival Internacional de Londrina (Filo), sendo posteriormente expostas também no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo (na coleção Pirelli/Masp de fotografia). Ohara também ganhou uma biografia, escrita por Marcos Losnak e Rogério Ivano, intitulada “Lavrador de Imagens - Uma Biografia de Haruo Ohara”.
Na tentativa de preservar adequadamente o acervo, a família doou 20 mil negativos e objetos pessoais do fotógrafo ao Instituto Moreira Salles (IMS), do Rio de Janeiro e agora figuram ao lado de outros grandes nomes, como Claude Lévi-Strauss e Hans Gunter Flieg.
Serviço
O que: mostra Japão: mundos flutuantes
Onde: Galeria de Arte do Sesi (Av. Paulista, 1313 – Metrô Trianon-Masp, São Paulo, SP)
Quando: de 25 de novembro de 2008 a 1º de março de 2009. Segunda-feira, das 11h às 20h; terça a sábado, das 10h às 20h; domingo, das 10h às 19h